terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

romance pós-moderno

Vai achando que dessa vez eu vou me rebaixar e assumir um erro que não foi meu. Que eu vou engolir meu orgulho mais uma vez para não ferir o seu. Vai achando que eu vou passar a mão na sua cabeça e dizer que você tá certo, que o mundo é cruel mesmo, as pessoas são filhas da puta e o seu sentimento é maior do que o meu, e de todo o resto. Sustentar esse seu drama de classe média mimada. Vai achando que eu vou me sentir culpada lendo essa poesia barata que você me mostra, que para mim não passa de uma tentativa de expelir aquilo que você não sente, uma dor que não é sua. Vai achando que eu vou borrar minha maquiagem, ouvir Caetano, fumar dois maços. Não vou, meu bem. Eu mudo a decoração, jogo suas roupas pela janela. Ou dou para os pobres. Aí eu pinto a cara, coloco meu melhor vestido e saio por aí. Arranjo um otário que pague minha bebida e me ocupe umas horas com uma foda vazia, que com certeza vai ser muito mais sincera do que aquelas besteiras que você falava no meu ouvido. E se você ainda insistir em encenar esse sofrimento, aí eu te aconselho a fazer uma viagem, arranjar um cachorro, cheirar cocaína, pedir ajuda a Deus, Jeová, Oxum, aos astros, Freud, tomar um banho de arruda com sal grosso, ou Lexotan, ou um porre. Ou então se dedicar a aquela merda que você faz, que você ainda insiste em chamar de arte.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

Eu tenho tempo a perder com incertezas. Mas só com as minhas!